28 de setembro de 2009

1: Rotina...

Eu estava cansado.

Acordei hoje, como de praxe, perto das 6:00 e nem sequer o Sol teve coragem de levantar. Mais uma vez irritado, claro, pelo soar do meu despertador. É daqueles velhos, bem toscos, com apenas três botões e com um som que me lembra como é ter uma visão do inferno. Bem, eu não moro em um apartamento muito grande, considerando que eu durmo praticamente grudado com a cozinha, em minha sala, então eu não perdi muito tempo em pôr alguma coisa pra fazer enquanto eu passava a minha roupa.

Liguei a TV e mudei por alguns canais enquanto tomava a minha cerveja matinal. Passei pelos desenhos, o qual eu admito ter perdido alguns minutos, e logo depois para esportes; esse não resistiu sequer dez segundos. Acabei largando o controle remoto no meu sofá-cama, parando no noticiário. Quando eu me dei conta que a imagem na TV era de camburões e caminhões do exército parados no que me parecia ser uma rodovia, eu aumentei o volume.

- Estamos de volta com a cobertura do acidente na Rodovia Dom Pedro, na cidade de Campinas, no quilometro 58, próximo à entrada para Barão Geraldo. Aparentemente, o caminhão que capotou tinha como destino uma das instalações da Universidade de Campinas. Militares estão isolando a área, alarmando que possivelmente uma substância química instável pode ter vazado. É recomendação da Secretaria de Saúde que o trânsito no local seja evitado, e os moradores sejam ev-

Em um instante, a TV desligou sozinha. Soube que foi por causa de uma queda na energia devido ao som bizarro e já comum que a minha geladeira faz junto com alguns saltos quando ela se para de funcionar. Merda. Mais uma vez, banho frio em pleno inverno. No centro. Murphy com certeza tem um novo favorito.

Dentro de alguns minutos eu já estava na rua. Paletó no ombro, torrada com geléia na boca e passe do ônibus em mãos. Passei na padaria na esquina de casa para comprar um maço de cigarros, quando a energia voltou e a TV de lá ligou novamente. Aí então, a ruivinha que eu sempre flerto e sempre esqueço o nome, do balcão, Tomou um susto e, depois de uma risadinha meio sem graça, desligou o aparelho. Eu ri, mas não pude deixar de reparar que a TV mostrara a mesma notícia que via em casa, porém agora havia alguém de uniforme militar empurrando o cameraman para trás. Essa cena me fez pensar do que se tratava a carga do caminhão, mas logo parei de me preocupar, visando que aquela rodovia não fazia mais parte da minha rotina. Acabei deixando de lado.

Certo. Tudo pronto para enfrentar mais um dia naquele escritório maldito. Cigarro na boca, cafeína em meu sangue e uma boa dose de mau-humor – tudo na rotina. Estava cedo e resolvi ir a pé para economizar o dinheiro do passe que a empresa me dá, lembrando do aniversário de um amigo meu. Entrei no estacionamento quando eu ouço o desagradável som de uma buzina familiar.

- Hei! Você! É a polícia! Hahaha!

Ignorei.

- Vamos lá, Tom. Cadê o seu senso de humor? – insistiu o meu “amigo” de trabalho, Kevin.

Esse cara tem um sério problema. Eu resolvi dar um sorriso amarelo pra ver se ele me deixava em paz. Nada.

-Bem, suba no carro. Preciso te mostrar algo.

Parei. De repente, me veio memórias. Abri a porta do passageiro e entrei naquele Chevete caindo aos pedaços.

Vai ser um longo, longuíssimo dia.

2 comentários:

NUKE disse...

Eeeee caráleo! Isso não é lugar de parar uma narrativa! Continua!!

Joe Fox disse...

Concordo!! Curiosidade MODE : ON
UHAEHAEIUAEHI